Dono de pequena loja de varejo calculando preço de produtos em frente às prateleiras

Já vi muita loja quebrar sem nem saber por quê. O erro clássico? Pega o custo de compra, multiplica por dois e acha que está com 50% de margem garantida. Só que, no mundo real, esse cálculo burro de tão simples, só serve pra mascarar prejuízo.

No varejo de verdade, operar desse jeito é receita para o dono virar escravo do próprio negócio. E a cada venda, acha que está crescendo, quando na prática só está girando dinheiro, e tirando do bolso devagar.

“Faturamento é vaidade. Lucro é sanidade. Caixa é realidade.”

Hoje, vou mostrar como se calcula preço de venda no varejo sem perder margem, seja na loja física ou online. Vou trazer um exemplo real, com número. Vou detalhar todos os custos que ficam de fora desse famoso “multiplica por dois”. E vou deixar claro: errar no preço custa dinheiro todo mês, e só quem encara o número de frente sobrevive num mercado onde crescer não basta, tem que sobrar.

O erro fatal do “multiplica por dois”

O impulso é automático: comprou a caixa do fornecedor por R$30, joga na prateleira a R$60. Se vender, pensa que está feliz: “Ótimo, 50% de lucro”. Só que o dinheiro vai embora assim: imposto, comissão, frete, taxa do marketplace, despesa da loja, tudo o que não apareceu naquela conta apressada.

A verdade? O lucro real pode ser menos de 10%, ou prejuízo, se você não enxerga o todo.

  • Imposto (ICMS, Simples, PIS/COFINS): pode passar de 8-12% fácil
  • Comissão do vendedor ou taxa de cartão: 2-5%
  • Frete ou logística (especialmente online): pode chegar a 7%
  • Taxa de marketplace (se vende em grandes plataformas): 10-16%
  • Custo operacional da loja: aluguel, energia, folha, tudo embutido
“Saldo positivo na conta não é lucro, pode ser capital de terceiros girando.”

No fim, se você só dobra o custo de compra e ignora todo o resto, está torcendo para dar certo, não gerindo o que realmente importa.

Entendendo todos os custos do preço de venda

Se quer sobreviver no varejo, precisa enxergar tudo o que come sua margem. Não é só o produto que você comprou. É tudo o que sai antes de o dinheiro chegar no seu bolso.

Vou destrinchar os custos mais comuns:

  • Impostos: Simples Nacional ou Lucro Presumido? Incide sobre a nota? O valor muda se você vende em marketplace? Isso tudo entra no cálculo.
  • Taxas de cartão de crédito: Não adianta vender só no dinheiro, a maioria dos clientes paga no cartão e isso tira mais 2 a 5% do valor final.
  • Frete e logística: Produto leve, barato, mas frete caro? Olho vivo: o frete pode consumir sua margem inteira no e-commerce.
  • Comissão de vendedor: Valor fixo ou comissão sobre venda? Tem que calcular no preço.
  • Despesas fixas: aluguel, folha, energia, despesas bancárias. Tudo precisa ser rateado entre as vendas.

Se o preço não paga tudo isso, a cada venda você troca dinheiro por trabalho, e, no fim do mês, está devendo sem entender por quê.

“Crescer faturamento sem crescer margem é só mais trabalho pelo mesmo resultado.”

Diferencie markup de margem, confundir isso custa caro

Esse ponto é crítico: markup não é margem de lucro. E confundir os dois deixa muita PME com falsa sensação de lucratividade.

O markup nada mais é do que o quanto você sobrepõe ao custo para chegar no preço. Já a margem é o que de fato sobra sobre o faturamento. Vou mostrar na prática:

  • Comprei por R$30
  • Somei mais R$30 (markup de 100%), vendi por R$60
  • Mas, considerando as taxas e custos mencionados (impostos, taxas, comissão, despesas), descubro que não sobra metade do preço. Sobra muito menos.

Markup não pode ser confundido com margem. Margem calcula o que realmente fica, depois de pagar tudo. Markup é só um fator de multiplicação.

“O número não mente. O empresário é que não quer ouvir.”

Exemplo numérico: preço de venda correto no varejo

Vamos ao número que interessa. Pensei no cenário abaixo, típico da realidade:

  • Produto comprado do fornecedor: R$30
  • Imposto: 11% (R$6,60)
  • Comissão/vendedor ou taxa cartão/marketplace: 8% (R$4,80)
  • Frete médio: 5% (R$3,00)
  • Despesas fixas rateadas: 6% (R$3,60)
  • Margem de lucro desejada: 15%

Some essas despesas: 11% + 8% + 5% + 6% = 30%. Agora, ainda quer colocar 15% de margem líquida real.

Se você vender por R$60, na prática não sobra nada. Por quê? R$60 - R$30 (custo) = R$30, mas desses R$30, só as despesas já vão consumir R$18. Sobra R$12. Se a margem de lucro planejada é 15% sobre a receita, você precisaria vender esse produto por pelo menos R$70,60.

  • Preço final de venda = Custo / [1 - (% despesas totais + % margem desejada)]
  • Preço final = R$30 / [1 - (0,30 + 0,15)] = R$30 / 0,55 = R$54,54 (sem margem!)
  • Para 15% de margem sobre receita: R$30 / 0,55 = R$54,54 + margem = R$70,60

Esse é o único jeito de saber, no detalhe, seu resultado. Quem acha que pode “chutar pra cima” o preço só porque o vizinho vende igual está apostando no escuro.

Por que copiar preço do concorrente só atrasa seu lucro

Passei por isso já. Aparece aquele concorrente vendendo barato no bairro ou marketplace. Vem a tentação de igualar ou baixar só para não perder cliente. Só que tem um detalhe que ninguém conta: você não sabe se ele está lucrando ou pagando para trabalhar. Muitas vezes, ele está até pior do que você e nem percebe.

PME que compete por preço está sempre perdendo para alguém maior.

Quando a estratégia vira “cobrir preço do outro”, você entrega sua margem para o cliente. E não volta nunca mais. O caminho é ter clareza do seu número, nem sempre o barato compensa, principalmente se a conta não fecha.

Além disso, o cenário do varejo brasileiro muda rápido. Os dados do IBGE mostraram, em 2024, um crescimento de 4,7% nas vendas do varejo, o maior aumento desde 2012. Só que esse crescimento só vira resultado pra quem ajusta preço e controla margem, senão é faturamento crescendo e caixa apertando, o que é receita pra quebrar calado (dado IBGE).

Já vi empresário entrar na guerra de preço, sentir um aumento de vendas artificial e em três meses não conseguir pagar fornecedor. Concorrente não é referência. Meta é sempre o seu número.

Checklist: passo a passo para precificar no varejo

Se quiser garantir lucro de verdade, siga este checklist prático:

  1. Anote todo custo direto do produto: quanto você paga ao fornecedor (com impostos, entrega, embalagem...)
  2. Liste todos os custos percentuais de cada venda (imposto, comissão, taxas de cartão, frete, etc.)
  3. Levante e rateie suas despesas fixas do mês para cada item (% do faturamento mensal, não chute)
  4. Defina, com clareza, sua margem líquida desejada (% de lucro sobre faturamento, não confunda com markup!)
  5. Monte a fórmula correta: Preço de venda = Custo / [1 - (% custos variáveis + % despesas fixas + % margem líquida desejada)]
  6. Cheque se esse preço é compatível com seu mercado. Se não for, reavalie o mix de produtos, os custos, ou seu posicionamento, nunca só baixe o preço pra vender mais.

Esse método detalhado, por experiência, impede que você dependa do “achismo”, e ainda te mostra quais produtos realmente pagam as contas e geram caixa real. A maior parte das lojas só descobre isso tarde demais. E aí não adianta vender mais. Precificar com metodologia é o que diferencia quem cresce com saúde de quem fatura sem ver o dinheiro.

Você pode aprofundar essa lógica de precificação, com exemplos ainda mais claros e detalhados para produtos, serviços e custos fixos/variáveis no artigo específico sobre preço de venda e margem real no comércio varejista.

Quando ajustar o preço e quando ajustar o negócio

Nem sempre é possível aumentar preço à vontade. O consumidor sente, o concorrente pressiona, o mercado oscila. Dados do IBGE, por exemplo, mostram um avanço de 1,2% no varejo puxado por supermercados em maio de 2024, mas variações como a queda de 0,4% em abril de 2025 reforçam a importância de rever preço e custos o tempo todo.

Quando não dá para mexer no preço, a saída está em olhar para dentro. Ganhar eficiência operacional, controlar desperdício, negociar melhor custos variáveis. Muitas vezes, a margem aparece mais rápido mudando o processo do que só tentando aumentar valor na etiqueta.

Outro ponto fundamental: analisar produto por produto. Tem mercadoria que vende, mas não paga nem as despesas operacionais. Saber o que dá lucro de verdade permite cortar “campeões de venda” que só sugam caixa. E essa clareza muda o rumo do negócio mais do que qualquer promoção pontual.

“Margem apertada hoje é prejuízo amanhã.”

O segredo: metodologia, clareza e rotina

Se posso deixar um conselho prático, é este: preço não é palpite. É método. Todo mês, revise seus números. Troque o papel de vítima do mercado pelo papel de gestor dos seus indicadores.

  • Revise preços sempre que custo, imposto ou despesa mudar.
  • Monitore vendas, margem e resultado por produto.
  • Ajuste estratégia antes que banco ou fornecedor venha cobrar.

Essa é a única maneira de sustentar margem mesmo no varejo físico ou online, que cresce mas muda de cenário todo mês, como mostram as oscilações do IBGE nas vendas a cada semestre (dados de varejo do IBGE detalham essas variações).

Para quem ainda sente insegurança, recomendo usar cálculo estruturado de margem de contribuição para não depender de “achismo”, e olhar para a diferença de precificação de serviços para ter referência se atua com produtos e atendimento misturados.

“Produto campeão de vendas com margem ruim é um sugador de caixa disfarçado.”

Conclusão: quem controla o preço tem futuro, quem ‘chuta o valor’ só sobrevive até o caixa secar

No varejo, só sobrevive quem transforma preço em gestão. Quem acha que vender muito resolve tudo, não viu como é ruim trabalhar, faturar e terminar o mês sem ter o suficiente para reinvestir e crescer.

Meu conselho? Olhe todos os custos. Calcule o preço de venda com método, não com medo. Margem é questão de rotina, não de sorte. E nunca, jamais, copie o preço do concorrente sem saber qual é o verdadeiro resultado da operação dele. O preço certo protege seu caixa e garante o fôlego do negócio em um mercado que muda rápido, cresce, oscila e premia que dá lucro, não só fatura.

Se quiser transformar cálculo em prática, aprofundar sua estrutura de precificação, DRE, margem, fluxo de caixa e sair da dependência de achismos para sempre, meu curso Gestão Lucrativa mostra passo a passo tudo que detalhei aqui, com ferramentas e exemplos práticos. R$37, acesso imediato ao método validado na prática. https://gestao-lucrativa.com/

Perguntas frequentes sobre como calcular o preço de venda no varejo

Como calcular o preço de venda no varejo?

O cálculo correto começa pelo custo total do produto (compra, impostos e frete) e soma todos os custos variáveis e fixos da operação, além da margem de lucro desejada. O método tradicional de multiplicar por dois ignora custos relevantes e quase sempre leva a erro. O correto é usar a fórmula:Preço de venda = Custo do produto / [1 - (% custos variáveis + % custos fixos + % margem desejada)].Veja exemplos detalhados no artigo sobre preço de venda e margem real.

Quais fatores influenciam o preço de venda?

No varejo, o preço de venda é impactado não só pelo custo de compra, mas também pelos impostos incidentes, taxas de cartão, comissões, frete, despesas operacionais, e a margem de lucro esperada. Ignorar qualquer um desses fatores compromete o resultado.

Como manter a margem de lucro no varejo?

Manter margem exige revisão constante de custos, ajuste periódico dos preços, eficiência operacional e análise cuidadosa de cada produto. Reduzir desperdícios e negociar melhores condições também é fundamental. Este artigo detalha como aumentar margem de lucro melhorando a operação.

Vale a pena baixar o preço para vender mais?

A decisão de baixar preço deve ser baseada em cálculo, nunca por pressão do mercado ou comparação com concorrente. Muitas vezes, baixar preço só piora a margem e aumenta o prejuízo no volume. O segredo é conhecer seus próprios números, nem sempre o aumento de vendas cobre o que você perde reduzindo o valor de cada unidade.

Qual a diferença entre preço de custo e de venda?

O preço de custo representa tudo o que você paga para disponibilizar o produto: compra, impostos, taxas e frete. Já o preço de venda precisa cobrir o custo total, todas as despesas (variáveis e fixas) e também garantir a margem de lucro desejada.

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Lucas Peixoto

Sobre o Autor

Lucas Peixoto

Sou Lucas Peixoto, CEO do VENDE-C, a maior Escola de Vendas do Brasil, onde desenvolvo metodologias práticas para vendas, eficiência operacional, liderança e crescimento empresarial. Há 15 anos trabalho na construção de pessoas, processos e ferramentas voltadas à gestão estratégica, sempre com foco em clareza, performance e resultados tangíveis. Ao longo dessa jornada, participei do desenvolvimento de milhares de profissionais e levei o VENDE-C a um faturamento acumulado de mais de R$150 milhões em apenas quatro anos de operação. No meu trabalho — e neste blog — compartilho experiências, frameworks e aprendizados que ajudam empreendedores e líderes a estruturar operações mais lucrativas e sustentáveis, aplicando conceitos que fazem diferença no dia a dia real dos negócios.

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