Gestor analisando grafico de rentabilidade por produto na tela do computador

Já vi uma empresa que parecia encaixada no perfil “saudável”: faturava bem, tinha boa presença no mercado, dezena de clientes fiéis e um portfólio de 12 produtos. O cenário parecia ótimo até os números reais saírem do papel. A empresa decidiu olhar de perto o quanto realmente sobrava de cada produto, além do mero movimento de caixa. Sabe o que aconteceu? Cortaram quatro produtos que vendiam em volume, mas davam prejuízo direto. Três meses depois: a margem líquida subiu, o lucro real aumentou em 40%, tudo isso sem buscar mais clientes ou vender mais.

Eu mesmo já caí na armadilha do "produto campeão". Aquilo que enche a agenda, mas esvazia o caixa. Por isso, vou mostrar aqui como eu faço essa análise, quais sinais ignorar é perder dinheiro, e como tomar uma decisão difícil (mas que liberta). Ao final, você vai saber se está trabalhando para valer ou só girando dinheiro na empresa.

O que é analisar rentabilidade por produto, na prática?

Análise de rentabilidade por produto nada mais é do que enxergar o quanto cada item vendido realmente soma (ou subtrai) do resultado final da empresa. Não é apenas saber o preço de venda menos o custo na nota. É entender o impacto no caixa, considerando despesas diretas, impostos, comissão, e uma boa fatia dos custos operacionais proporcionais.

Já vi muito empresário confundir movimento com resultado. "Faturamento é vaidade. Lucro é sanidade. Caixa é realidade". Produto que vende muito e não deixa nada é perda disfarçada de sucesso.

Produto campeão de vendas com margem ruim é um sugador de caixa disfarçado.

Então, vamos direto ao ponto: como montar uma análise simples e objetiva, sem precisar passar horas na planilha nem contratar consultor caro.

Como calcular a rentabilidade de cada produto, passo a passo

Na minha experiência, calcular a rentabilidade por produto exige método, mas não precisa ser um bicho de sete cabeças. O segredo é olhar além do preço de compra e do preço de venda. Separe os dados por produto ou serviço:

  1. Faturamento bruto – Quanto cada produto gerou em receita no período analisado.
  2. Custos variáveis – Isso não é só o custo de compra. Some impostos sobre venda, comissão de vendedor, taxa de cartão, frete específico, embalagem diferenciada, tudo que só existe porque houve aquela venda.
  3. Margem de contribuição – Faturamento menos custos variáveis. Aqui está o verdadeiro “pulmão” do produto.
  4. Rateio dos custos fixos – Distribua parte das despesas operacionais para cada produto. Uso o método proporcional ao faturamento, mas existem várias formas. O objetivo é entender se o produto paga sua “parte” do aluguel, folha, energia, sistema, etc.
  5. Lucro (ou prejuízo) por produto – Margem de contribuição menos o rateio das despesas. Se for negativo, está na hora de decidir se vale a pena continuar.
Margem apertada hoje é prejuízo amanhã.

Aqui um exemplo simples (números fictícios, mas com lógica real de PME brasileira):

  • Produto A: Fatura R$12.000/mês; Custo variável total R$8.400; Sobra R$3.600; Rateio dos custos R$2.000; Lucro final: R$1.600.
  • Produto B: Fatura R$8.500/mês; Custo variável total R$6.900; Sobra R$1.600; Rateio dos custos R$2.000; Lucro final: R$-400.

O Produto B, apesar de vender bem, consome capital. Está pagando para ser vendido, e levando outros juntos pro buraco.

Quais sinais mostram que você está pagando para vender?

Em toda PME que eu acompanhei, o “campeão de vendas” que mais demanda da equipe muitas vezes é o que menos retorna no caixa. Fique atento aos sinais objetivos que indicam prejuízo disfarçado:

  • Alta rotatividade, mas caixa sempre apertado no final do mês.
  • A equipe comercial só empurra produto barato ou com descontos frequentes.
  • Cliente só compra aquele produto, mas depois some (falta de efeito de venda cruzada).
  • Produtos exigem muitas revisões, trocas ou retrabalho no pós-venda.
  • Nível de inadimplência e devolução acima da média no portfólio.
  • Dificuldade de reajustar preço sem queda brusca de vendas, baixa percepção de valor agregado.

É comum ver o dono animado com vendas altas, até descobrir que cada unidade vendeu com prejuízo. Quando o problema aparece no caixa, já pode ser tarde.

Critérios para decidir: manter, ajustar preço, renegociar fornecedor ou cortar?

Decidir o destino de um produto nunca é só olhar a linha final do Excel. Eu adoto critérios práticos, com base em dados e uma pitada de experiência de quem já cortou e sentiu menos dor depois.

  • Produto essencial ao portfólio? Tem papel estratégico, serve como “porta de entrada” para clientes maiores? Cuidado para não sabotar vendas futuras.
  • Dá para renegociar insumo ou fornecedor? Produto ruim pode virar bom se você baixar 10% no custo direto.
  • Existe espaço real para aumento de preço? Se não, o mercado já mostrou o teto. Nessa situação, a cada desconto, você afunda junto.
  • Reduzir volume compensa? Produto pode não ser rentável no atual formato ou quantidade, mas ser positivo em nichos específicos.
  • O produto ocupa proporção grande dos custos fixos, mas rende pouco? Sempre olho para o uso de recursos (pessoas, estoque, espaço) além do resultado financeiro.
Planilha mostrando análise de rentabilidade dos produtos, com destaques visuais para produtos lucrativos e não lucrativos

O erro mais comum é decidir pelo orgulho ou ego. Decisão baseada em apego a um produto só aumenta o rombo. Decida pelo negócio.

Estratégia é o que você decide não fazer tanto quanto o que decide fazer.

Como cortar produtos negativos sem perder clientes?

Já precisei enxugar portfólio e vi que a chave está em comunicação e foco no que realmente entrega valor (e resultado). O corte começa pelo entendimento interno: equipe alinhada, argumentos claros para clientes e prontidão para preencher eventuais lacunas com produtos mais saudáveis.

Veja como costumo conduzir esse processo sem perder receita (e dormindo tranquilo):

  • Comunique o fim do produto de forma direta, focando em qualidade, não quantidade: “Ajustamos nosso portfólio para atender melhor”.
  • Ofereça alternativas melhores e explique o benefício (mesmo que custem mais para o cliente, isso só reforça o valor do que ficou).
  • Invista o tempo e recurso economizado nos produtos com retorno comprovado.
  • Acompanhe de perto os indicadores do pós-corte: se a receita cai, mas o lucro sobe, o caminho foi o certo.

É comum ver queda momentânea no faturamento. Normal. O objetivo, no fim das contas, é sobrar mais do que faturar por faturar. Crescer faturamento sem crescer margem é só mais trabalho pelo mesmo resultado.

Gestor negociando com fornecedor, ambos em mesa com anotações e calculadora

E vale lembrar: setores inteiros vêm sofrendo redução de preços nos últimos meses. Estudos recentes apontam por exemplo que os preços da indústria tiveram queda pelo quinto mês seguido, puxados significativamente pelo setor de alimentos . Já em agosto, foi o sétimo mês seguido de queda, mostrando uma pressão constante sobre margens . Se você não revisa custo e margem, o mercado faz isso por você.

Como evitar recaídas e blindar o caixa da empresa?

Uma vez ajustado o portfólio, o erro mais recorrente é relaxar no acompanhamento. Eu recomendo um ritual mensal: fechar o DRE (Demonstrativo de Resultado) até o dia 10 do mês seguinte. Repetição cria blindagem.

Outras ações que funcionam na prática:

  • Coloque visão de margem de contribuição no centro dos debates de decisão (não só olhar faturamento).
  • Ajuste premiações e comissão do time comercial, venda precisa gerar resultado, não só movimento.
  • Recalcule preços a cada mudança significativa de custo, sem medo de reprecificar com base em dados.
  • Corte rápido aquilo que mostrou ser drenador de caixa; postergar só piora o buraco.
  • Use ferramentas simples (DRE, planilha, relatório), não precisa nada complexo, só disciplina e clareza.
Equipe de PME comemorando ao redor de quadro branco com gráficos de resultados positivos

Caso queira se aprofundar em análise financeira voltada para empresas, recomendo o artigo sobre análise financeira para empresas. E se a dúvida for como saber quais produtos estão drenando caixa silenciosamente, vale a leitura do artigo sobre como identificar produtos não lucrativos.

Conclusão

Na gestão de uma PME, não existe linha neutra: ou cada produto agrega ao seu bolso, ou está levando dinheiro embora. A análise produto a produto é o farol que evita trabalho em dobro por lucro nenhum. Em todo portfólio, existe pelo menos um produto mascarando prejuízo. Não hesite em ajustar preço, negociar custo, ou cortar sem pena. Decida com dados, não com emoção, tomador de decisão que olha para margem e aceita as dores do corte colhe tranquilidade no caixa e crescimento de verdade.

O número não mente. O empresário é que não quer ouvir.

Se você quer montar o DRE e fazer a precificação da sua empresa na prática, sem perder tempo com teoria, eu recomendo o Gestao Lucrativa. É um curso direto, 100% online, com acesso imediato e garantia de 7 dias, por R$ 37. Acesse: https://gestao-lucrativa.com/

Perguntas frequentes

O que é análise de rentabilidade de produtos?

Análise de rentabilidade de produtos é o processo de identificar quanto cada item contribui (ou suga) do resultado financeiro da empresa. Isso inclui todos os custos variáveis e parte dos custos fixos, mostrando se o produto ajuda ou atrapalha o caixa. Não é só ver se vende bem; é enxergar o que realmente sobra ao final de cada venda.

Como calcular a rentabilidade de um produto?

Para calcular, basta seguir uma estrutura simples: some o faturamento do produto, subtraia todos os custos variáveis relacionados àquela venda (compra, impostos, comissão, embalagem, frete etc.), e depois desconte uma parcela dos custos fixos proporcionais. A fórmula prática de rentabilidade de produto é: lucro = receita – custos variáveis – custos fixos proporcionais. Se o resultado for negativo, é sinal de problema.

Quando devo cortar produtos não lucrativos?

O corte deve acontecer quando, mesmo após tentativas de ajuste de preço, negociação de fornecedor ou reposicionamento, o produto continua consumindo caixa e energia da equipe. Manter produto negativo por apego ou tradição é trocar resultado por passatempo. Decida com a planilha aberta, sem medo de mexer no portfólio.

Quais indicadores analisar na rentabilidade?

Entre os principais estão: margem de contribuição, percentual de custo variável sobre receita, ritmo de vendas versus participação no lucro, índice de inadimplência por produto, necessidade de capital de giro, e volume de recursos alocados. Sempre olhe resultado, não só quantidade vendida, e acompanhe mensalmente após cada ajuste no portfólio.

Vale a pena automatizar a análise de rentabilidade?

Automatizar faz sentido apenas se os processos e as informações já são confiáveis. Sistema bom não corrige dado mal lançado nem hábito de não acompanhar resultado. Antes de buscar automação, organize os números, crie o hábito e só depois passe a analisar com ferramentas mais sofisticadas.

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Lucas Peixoto

Sobre o Autor

Lucas Peixoto

Sou Lucas Peixoto, CEO do VENDE-C, a maior Escola de Vendas do Brasil, onde desenvolvo metodologias práticas para vendas, eficiência operacional, liderança e crescimento empresarial. Há 15 anos trabalho na construção de pessoas, processos e ferramentas voltadas à gestão estratégica, sempre com foco em clareza, performance e resultados tangíveis. Ao longo dessa jornada, participei do desenvolvimento de milhares de profissionais e levei o VENDE-C a um faturamento acumulado de mais de R$150 milhões em apenas quatro anos de operação. No meu trabalho — e neste blog — compartilho experiências, frameworks e aprendizados que ajudam empreendedores e líderes a estruturar operações mais lucrativas e sustentáveis, aplicando conceitos que fazem diferença no dia a dia real dos negócios.

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